Pode espernear, gritar, se jogar, rasgar dinheiro, quebrar tudo, se dissolver em lágrimas. A culpa disso tudo é tua, brasileiro.
Vindo de navio, escravo ou não, e das matas fartas desse continente, herdaste o espírito covarde de fugitivo. Aceitaste as mudanças de escopo de tua própria vida. Mau-comunaste com pessoas que visaram somente o lucro precoce que suas terras podiam, podem e poderão gerar. Um dia fora ouro, outro cana, depois café, depois gado, soja, milho, feijão e agora grana! Dos outros, brasileiro, aceitaste tudo, até lixo atômico vendido sob forma de usina nuclear.
Ah, brasileiro, o teu mau é aquele mais pernicioso aquele mais arraigado em tuas entranhas psíquicas. O teu mal é cultural! São séculos de vícios, maus exemplos e muita "putaria" com aquilo que é teu e também dos outros.
Brasileiro, és rico, mas também és pobre. Como podes?
O que te salva é esse coração corporativo enorme, que a cada batida pulsa sentimentos de Q.I. e assim vai levando, empurrando com a "barriga" todos os teus problemas, maus tratos, indecência e falta de integridade. És um grande fanfarão, movido a carro, carro este que leva teu salário e que lhe deixa apenas a pão e água, tudo em nome do falso status da prosperidade simbólica que essa maloca o condicionou.
És sortudo, pois no mundo não há, mesmo você destruindo, terras tão prósperas que oferecem desde água límpida em abundância ao enegrecido ouro das profundezas. És sortudo, mas azarado, pois não tomas partido daquilo que é teu.
Brasileiro, estás cheio de vermes, vermes da espécie banqueirus assolatus, que o come mês a mês e engordam rapidamente, porém sem multiplicarem-se; ao contrário, fundem-se para se alimentarem melhor de ti. Sem dizer que crias leões com comida vegetariana dentro de uma cela que se abre todo santo ano para que os mesmos o devorem vivo.
És um grande amante, fogoso que só, fértil como poucos e controlado pelo teu instinto animal que de tão voraz chega a ser animalesco.
Hóspede gentil, praticamente a melhor meretriz já vista. Um cortesão de primeira. Perde para favorecer o próximo em nome de um altruísmo condicionado.
Brasileiro, optaste por ser ignorante ou conformaste com as barreiras impostas para não cresceres. Ao invés de livros, tu compras carros, tu compras roupas super valorizadas, tu compras fugas. Ao invés de dizer não, tu aceitas com um sorridente sim qualquer decisão daqueles que elegeste para representá-lo, sem perceber que eles representam a si próprios. Tu insistentemente diz que só não é capaz de muito, de nada, e assim todos ao teu redor suplicam este mantra a tal ponto que todos acabam por virar nada.
Entendo perfeitamente a tua mania de jogar tudo na mão de deus (Deus) (DEUS), um ato de má educação, pois não se devolve um presente da maneira que fazes. A fé é o que lhe resta, entre uma boa dose de orgasmo, um bom prato de comida, uma boa televisão para teu futebol, a tua bolsa-família quando assim precisares e o status público se conseguires conquistar.
Desejo-lhe apenas, que acordes deste boa-noite-Cinderela que tomaste.