Se existe algo que me irrita é a falta de propósito em tanto esforço.
Sim, refiro-me ao palco de protestos da cidade de São Paulo, a Av. Paulista.
Voltando de um almoço, passo, sentido contrário, ao desfile. Sim, era um desfile. Muita gente, muitos cartazes, muitos ideais e muitos sorrisos junto a falta de um objetivo em comum.
A pergunta é: está sorrindo por quê? Trata-se de um protesto!
Dançam, chacoalham as placas, gritam pelos ideais e sorriem. Procurei insistentemente por imagens dos protestos mundo a fora e nelas não achei ninguém que estivesse sorrindo, dançando, se divertindo com a bandalha; só achei alguns casos esporádicos onde pessoas se beijavam em meio às violentas repressões.
A situação é triste para não dizer lamentável; e os protestos perderam parte de suas funções: expressar um descontentamento explícito por parte de quem se dá ao trabalho de lá estar.
Mas a cultura não deixa, pois são domingos de céu aberto, azul, tipicamente tropical. O protesto encontra, sem me gerar nenhuma surpresa, a barreira cultural.
A impressão que eu tenho é que no dia seguinte quase ninguém mudou seus hábitos.
Como se protesta contra a construção de uma usina hidrelétrica? Simples: desligando o disjuntor. Não tem outro jeito, pois é no bolso que a gente se entende.
Como se legaliza a maconha? Quando não se consomem mais cigarros ou quando todos passam a comprar maconha mesmo. Particularmente a primeira opção para mim é a única válida e digo isso porque nunca vi fumaça fazer bem a alguém. Além disso, poucos sabem sobre a cadeia logística que a droga ilegalizada utiliza até chegar à boca, às narinas ou às veias de quem assim as apreciam. Ninguém consegue ver a destruição provocada.
Mas sorriamos...
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